O projeto propõe a reestruturação da Biblioteca Pública Municipal de Santa Cruz do Sul, localizada na cidade de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, com o objetivo de ampliar e qualificar o espaço existente, reafirmando o papel das bibliotecas públicas como agentes de desenvolvimento social e democratização do conhecimento. A proposta surge da necessidade de expansão do acervo e criação de áreas de convivência, transformando o edifício histórico em um equipamento urbano contemporâneo e acessível.
Localizada no centro da cidade, a biblioteca ocupa um prédio de 1910, originalmente construído para abrigar o presídio da cidade. O terreno, de 1.107,79 m², situa-se em uma área estratégica, próxima a pontos importantes da cidade, o que reforça seu potencial de integração com o entorno e valorização do patrimônio cultural.
O conceito central do projeto é inspirado no “Mito da Caverna”, de Platão, utilizando a metáfora da luz e da libertação como representação simbólica do conhecimento. A biblioteca é concebida como um “farol do saber”, espaço que conduz o visitante do confinamento à descoberta, do escuro à luz.
A proposta preserva o edifício histórico e o integra a um novo volume, estabelecendo um diálogo harmônico entre o antigo e o contemporâneo. O edifício tombado abriga funções de apoio, como auditório, coworking e cafeteria, convidando a comunidade à permanência e ao uso cotidiano. O novo volume concentra o acervo, áreas técnicas e de leitura, organizadas em torno de uma praça central coberta, que conecta os dois blocos e funciona como espaço de convivência e eventos.
Do ponto de vista técnico, o projeto adota soluções sustentáveis e inovadoras. A nova estrutura em CLT, proveniente de madeira de reflorestamento, oferece excelente desempenho térmico e acústico, reduzindo impactos ambientais. As fachadas utilizam vidro temperado com películas de controle solar e painéis fotovoltaicos BIPV translúcidos, que além de gerar energia limpa, otimizam o conforto térmico e a iluminação natural. Além disso, o sistema de reaproveitamento de águas pluviais, armazenadas em cisternas, complementa as estratégias de sustentabilidade.
A linguagem arquitetônica do novo volume também propõe uma releitura contemporânea do enxaimel, técnica construtiva de origem alemã fortemente presente em Santa Cruz do Sul. Essa referência se manifesta na expressão estrutural da madeira aparente e na valorização dos sistemas construtivos como elementos estéticos, reforçando a identidade cultural da cidade e o vínculo entre tradição e inovação.
Em síntese, o projeto busca ressignificar a Biblioteca Pública de Santa Cruz do Sul como um espaço de encontro, aprendizado e pertencimento coletivo, onde a arquitetura atua como mediadora entre a memória e o futuro da cidade.


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