O sítio da antiga estação ferroviária de Uruguaiana, situada no coração da cidade, guarda uma rica história da trajetória do transporte ferroviário no Brasil. Com aproximadamente 9 hectares, o sítio tem áreas pertencentes a RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) e a prefeitura municipal. O lote pertencente a RFFSA contém 3 edificações históricas de diferentes períodos da ferrovia, e hoje possui 157 famílias que habitam o local de forma irregular sob condições precárias de moradia.
Com o declínio do transporte ferroviário de passageiros a estação foi desativada no ano de 1996, marcando o fim de uma era ferroviária que desempenhou um papel vital no desenvolvimento da região. Adjacente à estação localiza-se uma vila ferroviária que após o encerramento
das operações férreas, muitos ex-ferroviários e suas famílias continuaram a residir nas habitações da vila. A complexidade da situação tornou-se evidente com o tempo, à medida que outros ex-ferroviários ou seus parentes próximos, em busca de acomodação, começaram a ocupar e
lotear a área da estação. Eles alegavam um direito histórico, baseado em anos de serviço prestado à ferrovia. Essa ocupação informal cresceu significativamente, abrangendo não apenas a área livre do lote, mas também invadindo os prédios históricos do local, resultando em um
ambiente de deterioração, abandono e falta de preservação.
Este projeto surge como uma proposta às complexas questões que envolvem esse sítio. Seu objetivo é revitalizar a área da antiga estação ferroviária de Uruguaiana, respeitando sua herança histórica, preservar os prédios históricos e criar um ambiente dinâmico e com vitalidade
urbana e, ao mesmo tempo, garantir o direito à moradias adequadas para as famílias do local. Procurando equilibrar a preservação do patrimônio cultural com a melhoria das condições de vida da comunidade local, buscando uma solução que respeite os direitos dos ex-ferroviários, propondo um novo contexto urbano sustentável e inclusivo para a cidade de Uruguaiana.
Os usos atuais da estação não favorecem a vitalidade e a diversidade da área, transformaram o local em apenas uma área de passagem. Propõe-se a mudança dos setores que estão alocados no prédio (farmácia popular do município e centro de fisioterapia do
município para onde funciona hoje o mercado público – que seria realocado para o armazém). Recomenda-se novos usos que atuem na apropriação do espaço, como o uso gastronômico, de exposições itinerantes e espaços de oficinas.
Optou-se por regularizar as edificações localizadas com testadas para as vias, condições regulares ou boas e fácil acesso. Aplicar ações do ATHIS onde for identificado situações a melhorar.
Para as famílias a serem realocadas, buscou-se um lote próximo para a construção de edifícios de 4 pavimentos de habitação de interesse social. Os prédios foram projetados em bloco de concreto estrutural, sendo no térreo em estrutura de concreto armado para possibilitar usos distintos, ora térreos ativos, ora térreos livres, constituindo uma transição entre o edifício e a cidade. A permeabilidade do térreo possibilita maior integração com a cidade através de passagens e o uso do miolo de quadra coletivo, fortalecendo a vida urbana, promovendo segurança, vitalidade e fortalecendo vínculos.


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