Requalificação do Parque Itaimbé: Gênero e Envelhecimento no Distrito Criativo de Santa Maria, RS.

O Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “Intervenção no Distrito Criativo de Santa Maria: uma perspectiva de gênero e envelhecimento” propõe uma requalificação urbana para o Parque Itaimbé, inserido no Distrito Criativo Centro-Gare, em Santa Maria (RS). O projeto parte de uma abordagem interseccional, considerando as relações entre gênero, envelhecimento e cidade, de modo a repensar o papel dos espaços públicos como promotores de inclusão, segurança e bem-estar coletivo. A fundamentação teórica aborda as desigualdades presentes na produção do espaço urbano, marcadas pela divisão sexual e etária do trabalho e pela consequente falta de representatividade feminina e idosa no planejamento das cidades. Além disso, a pesquisa identifica a urgência de pensar o envelhecimento populacional e a crise dos cuidados como pautas urbanas centrais, reconhecendo o papel dos parques e praças na promoção da autonomia e da convivência social. O Distrito Criativo (DC) de Santa Maria, oficializado em 2022, foi escolhido como área de estudo por representar um território simbólico da memória local, reunindo patrimônio histórico, potencial cultural, e vocação para a economia criativa. Dentro desse contexto, o Parque Itaimbé destaca-se por seu potencial simbólico e geográfico, apesar de seu estado atual de degradação. Assim, o trabalho parte da leitura do parque como eixo verde estruturador do Distrito Criativo, capaz de conectar diferentes camadas da cidade e fortalecer sua identidade cultural. A proposta foi orientada pela escuta do público e pelo levantamento detalhado da vegetação, mobiliário e condições de uso, permitindo construir diretrizes que respeitam as pré-existências do local. O masterplan organiza o parque a partir de eixos de mobilidade, participação, segurança, infraestrutura, comunicação e planejamento, priorizando a caminhabilidade, a diversidade etária, e o uso contínuo do espaço. A pavimentação foi definida por critérios de conforto, permeabilidade e contraste visual, garantindo segurança para idosos e pessoas com deficiência visual. A escolha das espécies vegetais acrescentadas, todas nativas da região, foi pautada pela capacidade de sombreamento, manutenção reduzida e valorização da paisagem local. A setorização do parque foi mantida, mas reinterpretada de modo a produzir um sistema integrado, no qual cada trecho responde às demandas específicas de seu entorno. Os setores junto à Vila Belga e à Avenida Nossa Senhora das Dores, escolhidos para detalhamento, atuam como portas de entrada para o local. Enquanto o primeiro setor reforça o vínculo com o patrimônio histórico, o segundo potencializa o comércio criativo e solidário. As intervenções propõem novos pontos de travessia, percursos acessíveis, e redução das barreiras físicas e sociais. O mobiliário foi redesenhado, agora com foco no uso seguro e confortável. Ademais, estratégias ambientais incluem o uso de piso drenante, jardim de retenção, biovaleta e cisterna enterrada, possibilitando o reaproveitamento da água para irrigação do parque e das hortas, além de ressignificar o antigo canal d’água que passava ali. Dessa forma, a proposta busca requalificar o Parque Itaimbé para funcionar como uma infraestrutura urbana de cuidado, articulando memória, paisagem e vida cotidiana.

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