Sistemas de Espaços Livres em Cachoeira do Sul: Construção de infraestrutura verde para uma cidade mais conectada

Sistema de espaços livres em Cachoeira do Sul: Construção de infraestrutura verde para uma cidade mais conectada

Inseridos no cotidiano urbano e rural, os espaços livres constituem a base física e simbólica das cidades, conformando a paisagem e regulando sua dinâmica ecológica. Em Cachoeira do Sul (RS), cidade marcada pela intersecção entre áreas rurais e a malha urbana consolidada, a fragilização dos elementos naturais pela expansão urbana evidencia a necessidade de uma abordagem que reintegre os processos ecológicos ao planejamento territorial. Nesse contexto, o presente trabalho propõe um sistema de espaços livres conectados por uma rede de infraestrutura verde na cidade de Cachoeira do Sul.

Estudos relacionados a temática revelam avanços na compreensão dos espaços livres como sistemas ambientais essenciais. Da mesma forma, ocorrem progressos na compreensão do uso da infraestrutura verde como forma de mitigação climática, ampliação da conectividade ecológica e promoção do bem-estar social. Contudo, apesar de consolidadas teoricamente, estas abordagens continuam pouco exploradas no planejamento de cidades médias brasileiras, onde a fragmentação da paisagem, distribuição desigual de áreas verdes e a baixa integração entre zonas rurais e urbanas ainda estruturam o território. Em Cachoeira do Sul, essas lacunas tornam relevantes a adoção de instrumentos capazes de reconfigurar a relação da cidade com seus elementos naturais e com seus sistemas ecológicos preexistentes.

Este trabalho apresenta uma proposta de rede de infraestrutura verde. Para isso, parte da revisão bibliográfica, diagnóstico físico-ambiental utilizando da perspectiva da ecologia da paisagem. Foram produzidos levantamentos, mapas temáticos e cruzamentos cartográficos que permitiram a identificação de corredores potenciais, áreas críticas, unidades de paisagem e nós estratégicos. Com base nessas etapas, estruturou-se um conjunto de diretrizes projetuais e uma malha de corredores verdes e azuis, cada qual orientado por uma temática específica e fundamentado em relações funcionais, conectivas e paisagísticas. Além disso, esta estrutura é detalhada a partir da elaboração de tipologias de intervenção e diretrizes voltadas aos espaços livres públicos.

Como resultado, obteve-se uma rede de infraestrutura verde que possibilita reorganizar o sistema de espaços livres de Cachoeira do Sul como uma estrutura ecológica contínua, ampliando a conectividade entre áreas rurais e urbanas, fortalecendo serviços ecossistêmicos e distribuindo de forma mais equitativa os benefícios ambientais no contexto urbano e urbano-rural. Identificou-se, ainda, que a aplicação das teorias dos grafos contribui para qualificar a resiliência do sistema, orientando a hierarquia dos corredores e a localização de nós estruturantes que sustentam fluxos ecológicos, hídricos e sociais.

A abordagem adotada permitiu avaliar o território de forma integrada, revelando seu potencial de renaturalização, regeneração ecológica e valorização da paisagem. Portanto, este planejamento vai em direção a uma cidade mais resiliente e sustentável, de maneira que não apenas mitigue problemas persistentes – como foram as inundações de 1941/1984/2024, a carência de espaços de lazer e desigualdades socioambientais – mas que também reintegre a natureza ao cotidiano da cidade. Ao propor um sistema coerente, tecnicamente fundamentado e territorialmente sensível, o trabalho aponta caminhos para uma urbanização mais harmônica, consolidando a infraestrutura verde como instrumento estratégico para Cachoeira do Sul.

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