REVERDESER – Turismo consciente como ecossistema regenerativo

RE.VERDE.SER – Turismo Consciente como Ecossistema Regenerativo

Este trabalho propõe a requalificação e transformação de uma área privada subutilizada e degradada para uso público e regenerativo, localizada na Enseada da Pinheira, no Estado de Santa Catarina, entre o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e o mar. A proposta que nasce da urgência de repensar o modo como ocupamos e nos relacionamos com territórios sensíveis, busca fomentar novos processos criativos centrados na natureza, a partir da criação de um complexo voltado à práticas de estudos e economias socioambientais, pautadas na valorização da biodiversidade e logística reversa de recursos.
Compreendendo o turismo como uma importante fonte econômica para a região, o projeto adota uma abordagem de turismo consciente frente aos impactos dessa atividade, visando a regeneração da paisagem e dos aspectos sociais e culturais do lugar, instigando novas relações entre a comunidade, visitantes e natureza.
No que tange ao direito à paisagem e à cidade, o projeto promove a democratização do acesso a uma área anteriormente restrita, ressignificando-a como bem público e instrumento de reapropriação comunitária. Fornecendo capacitação profissional por meio de atividades que envolvam a economia criativa baseada na logística reversa de recursos, a proposta estimula novas oportunidades de geração de renda a partir de um ecossistema participativo.
No contexto de inserção, o projeto estabelece um eixo que conecta os potenciais naturais do entorno (serra e mar), respeitando os condicionantes naturais, como áreas alagadiças e vegetações de espécies nativas existentes. As estruturas se elevam sobre o terreno, visando a mínima interferência no espaço natural. Os percursos criados guiam os visitantes por meio de trajetos de caráter orgânico no nível do térreo e através de uma galeria elevada que culmina em dois mirantes, permitindo visuais de diferentes perspectivas sobre a paisagem.
A escolha de materiais reflete o compromisso com a circularidade, utilizando madeira engenheirada (MLC) como técnica construtiva principal, além de revestimentos de bambu e tijolos ecológicos e do reaproveitamento de resíduos como cerâmicas, concreto e aço de navios descontinuados em novos formatos de utilização.
O complexo também incorpora soluções bioclimáticas e sistemas de energias renováveis, reduzindo a pegada de carbono e promovendo conforto térmico e desempenho ambiental. As ações educativas propostas ampliam esse impacto, conscientizando sobre os efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas costeiros.
As estratégias na escala da paisagem, também priorizam a biodiversidade como agente estruturador, promovendo espaços de naturalização, corredores ecológicos para fauna, áreas de plantio de espécies nativas e pontos experimentais de captação e manejo de resíduos marítimos. Tais estratégias reforçam a preocupação com restauração de habitats e a reintegração da área ao ecossistema local.
Ao integrar paisagem, memória e arquitetura, o projeto transcende a simples requalificação física. Ele propõe um modelo de desenvolvimento territorial que harmoniza conservação ambiental, inclusão produtiva e educação socioambiental, transformando um espaço degradado em um ecossistema regenerativo de forte impacto comunitário. Como equipamento social, o complexo reafirma o papel da arquitetura como agente de transformação, equidade e cuidado com o futuro.

Deixe seu comentário