REDESENHO DO PLANO UBATUBA NO CONTEXTO URBANO ATUAL

Redesenho do Plano Ubatuba no contexto urbano atual

O projeto propõe o redesenho contemporâneo do Plano Ubatuba de Farias, reinterpretando sua estrutura no contexto urbano atual das cidades de Capão da Canoa e Xangri-Lá (RS). A proposta parte da ideia de um parque linear intermunicipal, que atravessa o território entre o mar e a lagoa, conectando as centralidades urbanas das duas cidades por meio de um percurso contínuo de espaços públicos, praças, parques e vias paisagísticas.
Esse percurso atua como uma “orla intraurbana”, que busca equilibrar as dinâmicas territoriais, promover o turismo, o comércio e requalificar áreas pouco ativadas, consolidando uma rede de espaços de convivência e integração. O projeto visa fomentar uma cidade mais inclusiva, diversa e conectada, capaz de integrar diferentes zonas, classes sociais, faixas etárias e usos urbanos, transformando a região em um destino habitável durante todo o ano — e não apenas no verão.
O trabalho se fundamenta em uma análise histórica e morfológica do traçado original de Ubatuba de Farias, compreendendo que o território atual deriva de uma sequência de quatro planos diretores: Atlântida (1938 e 1952), Capão da Canoa (1940) e Capão Alto – atual Xangri-Lá (1955). Juntos, esses planos moldaram o espaço urbano contemporâneo do litoral norte gaúcho. A partir dessa sobreposição histórica, o projeto identifica permanências — como parques, eixos e áreas livres — que hoje são rearticuladas em um novo sistema linear de mobilidade e paisagem.
O parque linear proposto organiza uma sequência de microprojetos urbanos ao longo de seu percurso, conectando pontos de interesse cultural, ambiental e turístico, como o mar, a Lagoa dos Quadros, museus, teatros, áreas de mata nativa, espaços ecumênicos, centros gastronômicos e equipamentos educacionais.
Cada trecho do percurso assume características próprias: em Xangri-Lá, uma nova centralidade cívica propõe a requalificação do espaço público; em Atlântida, preserva-se a mata nativa como estrutura ecológica e memória da paisagem original; e em Capão da Canoa, o traçado urbano mais denso culmina no Grande Parque Náutico, que articula lazer, esporte e contato direto com a água.
Mais do que um redesenho físico, o projeto atua como uma costura temporal e territorial, reconectando passado e presente — o plano mítico de 1938 e as demandas urbanas do século XXI — em uma proposta que reafirma a relevância cultural e paisagística de Atlântida e reposiciona a região como referência de urbanismo litorâneo contemporâneo no Rio Grande do Sul.

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