(RE)CICLO: CENTRO DE RECICLAGEM E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM CACHOEIRA DO SUL

(RE)CICLO: CENTRO DE RECICLAGEM E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM CACHOEIRA DO SUL
A proposta (re)CICLO: Centro de Reciclagem e Educação Ambiental de Cachoeira do Sul – RS é um centro multifuncional que busca integrar dimensões sociais, ambientais e educacionais, relacionados a gestão dos resíduos sólidos urbanos de classe II. Reconhecendo a arquitetura como instrumento de aprendizagem, inclusão e transformação social e seguindo os conceitos da economia circular e “do berço ao berço”, o projeto busca ressignificar os resíduos sólidos urbanos valorizando os catadores e catadoras, agentes essenciais da cadeia da reciclagem e historicamente invisibilizados.
Implantado em um bairro de baixa renda e o mais populoso de Cachoeira do Sul-RS, o projeto responde as deficiências identificadas no entorno: a carência de espaços públicos de qualidade, e existência e falta de infraestrutura de trabalho aos catadores do município e a ausência de ações educativas voltadas a esfera ambiental. Assim, a implantação em dois blocos – industrial e educacional – é especializada ao longo da via projetada Gustavo Peixoto, garantindo segurança ao setor educativo e conectando-se por meio de uma praça, um espaço de gentileza urbana para a população local, estimulando convivência, lazer e pertencimento.
O bloco industrial se desenvolve em um ciclo produtivo – recepção, triagem, separação, prensagem, estocagem e venda – com acesso e circulação independente pela via Barão de Viamão. Ainda, foram planejados ambientes voltados a segurança e lazer dos cooperativados, por isso, no segundo pavimento, há áreas de apoio aos trabalhadores, setor administrativo e atendimento psicossocial. A plataforma de visitação permite a integração das atividades do complexo e do trabalho de reciclagem, onde os visitantes podem reconhecer o papel dos catadores e catadoras, além de aprender acerca do o processo de reciclagem.
O bloco educacional potencializa o caráter pedagógico da arquitetura ao abrigar oficinas de música com instrumentos de sucata, artesanato, móveis, jogos e murais produzidos com materiais recicláveis, além de salas de aula, espaços infantis, midioteca, auditório e áreas de cultivo no pavimento superior. A setorização interna permite uso noturno seguro, mantendo acessíveis o auditório, sanitários e áreas de exposição. O café e loja no térreo aproximam o público do centro e geram renda para a cooperativa por meio da venda dos produtos gerados nas oficinas.
Assim, a dimensão ambiental orienta o projeto de forma integrada, por meio de estratégias de sustentabilidade e conforto ambiental. Estratégias como wetland construído para tratamento de águas cinzas e negras, aproveitamento de águas pluviais, composteiras, hortas comunitárias, biovaletas na via Gustavo Peixoto e preservação da vegetação existente no lote reforçam a arquitetura instrumento de aprendizagem cotidiana. Brises de madeira plástica e tijolos ecológicos, tijolos de vidro com fibras recicladas, esquadrias de alumínio e a estrutura metálica em aço reciclado reduzem a geração de resíduos da construção civil em uma construção racionalizada que reduz a necessidade de grandes manutenções. Mais que um equipamento urbano, o complexo representa um lugar de integração social, econômica, ambiental e educacional por meio de uma arquitetura crítica e responsável que fomenta a reflexão acerca dos padrões atuais de consumo e descarte.

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