Praça das Artes: Um espaço de Teatro e Dança para a Requalificação do centro de Esteio.

Centralidade urbana como instrumento de revitalização — Casa de Cultura de Esteio

A centralidade urbana expressa a essência do fenômeno urbano, reunindo as possibilidades de interação social que estruturam a vida nas cidades. Os centros urbanos, historicamente marcados por espaços de encontro e diversidade, têm papel fundamental na construção da identidade coletiva e na vitalidade das comunidades. São lugares que concentram a memória, as relações e as dinâmicas culturais que dão sentido à cidade.

Em contraste, a cidade-dormitório se caracteriza por funcionar predominantemente como espaço residencial, carecendo de infraestrutura econômica, cultural e de lazer capaz de fixar sua população ativa. Esse é o caso de Esteio, município da Região Metropolitana de Porto Alegre, cuja dinâmica diária se baseia em deslocamentos para cidades vizinhas. Essa condição fragiliza o sentimento de pertencimento e reforça a necessidade de iniciativas que revitalizem a vida urbana local e promovam novas formas de centralidade.

A Casa de Cultura Lufredina de Araújo Gaya, projetada pelo arquiteto Flávio Kiefer e inaugurada em 1994, surgiu como resposta à carência de espaços culturais na cidade. Desde então, tornou-se um dos principais equipamentos culturais de Esteio, abrigando espetáculos de dança, teatro, música e artes visuais. Além de sua relevância simbólica e arquitetônica, o edifício representa um marco na tentativa de construir uma identidade cultural para o município. Contudo, passadas três décadas, a infraestrutura da Casa já não comporta a demanda crescente de atividades e grupos locais.

Entre esses grupos está o GEDE – Grupo de Teatro e Dança de Esteio, fundado em 2003 por Dulce Leal Machado. Atendendo cerca de cem pessoas de diferentes faixas etárias, o grupo é um importante agente de formação artística e social. Atualmente, enfrenta limitações estruturais significativas, com apenas uma sala adequada para ensaios, o que frequentemente obriga o uso de corredores e outros espaços improvisados.

Diante desse contexto, o projeto propõe a ampliação e adequação dos espaços da Casa de Cultura, com foco na criação de novas salas de ensaio e apoio, capazes de atender o GEDE e outros coletivos artísticos. Mais do que uma intervenção arquitetônica, a proposta busca fortalecer a centralidade urbana de Esteio por meio da cultura, transformando a Casa de Cultura em um verdadeiro polo de convivência, aprendizado e expressão.

Ao potencializar o papel simbólico e social desse edifício, o projeto pretende reconfigurar o eixo cultural da cidade, promovendo o encontro entre arte, arquitetura e comunidade. A intervenção se fundamenta na ideia de que a valorização de espaços públicos e culturais é um instrumento essencial de revitalização urbana, capaz de resgatar o sentido de pertencimento e contribuir para uma cidade mais viva, diversa e integrada.

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