O Parque das Artes surge como uma proposta de revitalização de uma antiga pedreira em desuso, ressignificando uma paisagem marcada pela extração mineral e transformando-a em um espaço cultural, público e sensorial. O projeto parte da compreensão de que o sítio carrega uma forte memória física e simbólica, expressa no paredão de rochas exposta e na clareira aberta pela atividade extrativista, e busca reconfigurar esses elementos como protagonistas de uma nova narrativa arquitetônica e paisagística. Nesse contexto, o Centro de Artes Cênicas assume papel central como equipamento estruturador do parque, articulando cultura, meio ambiente e memória do lugar.
Fez-se o estudo das melhores visuais possíveis da ferida aberta, para melhor implantação e uso do parque. Nesse cenário, o edifício do Centro de Artes Cênicas foi concebido a partir da lógica de fragmentação em quatro blocos principais: foyer, sala de espetáculos, caixa cênica e bloco de apoio. A composição volumétrica em grandes massas de concreto aparente dialoga diretamente com o paredão rochoso da pedreira, como se partes dele tivessem se desprendido e se acomodado no terreno. O volume de acesso, por sua vez, dialoga com o patrimônio cultural através de seus panos de vidro, estabelecendo conexão imediata com a paisagem circundante.
A sala de espetáculos tem capacidade para 650 espectadores, adota a configuração de palco de proscênio e ressalta questões de acústica e de visibilidade.
O Parque das Artes, como um todo, é estruturado para proporcionar múltiplas experiências sensoriais que reaproximam o usuário da paisagem natural, ao mesmo tempo em que valorizam a memória da antiga pedreira. O Centro de Artes Cênicas, nesse conjunto, materializa a síntese entre arquitetura, cultura e território, convertendo a cicatriz deixada pela extração mineral em um novo espaço de encontro, expressão artística e significado coletivo.


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