Parque Comunidade Steigleder – Requalificação Urbana e Ambiental:
O projeto propõe a transformação integrada de uma área marcada por vulnerabilidades socioambientais, consolidando um território capaz de promover dignidade, segurança e inclusão para as 211 famílias que hoje habitam a ocupação Steigleder, em São Leopoldo. Inserida em zona sujeita a inundações, com infraestrutura precária, habitações frágeis e restrito acesso a serviços públicos, a comunidade enfrenta desafios históricos relacionados à moradia, saneamento, saúde e mobilidade. A proposta reconhece esse contexto e parte das práticas sociais existentes, valorizando a organização comunitária e as iniciativas coletivas que caracterizam o lugar.
A estratégia urbana articula três eixos estruturantes: (1) qualificação socioambiental e manejo hídrico, (2) estruturação de espaços públicos de uso coletivo e (3) fortalecimento da economia local por meio de micro centralidades. Esses eixos orientam a criação de um parque linear multifuncional capaz de mitigar riscos de inundação, reorganizar fluxos internos e conectar a comunidade ao bairro e à cidade. O parque integra áreas de drenagem natural, passarelas, espaços de permanência e equipamentos de uso cotidiano, consolidando-se como infraestrutura ecológica e social.
A leitura territorial evidenciou a presença de vínculos comunitários sólidos, como o galpão de reuniões, a cozinha comunitária, a produção de pães e as atividades do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Esses elementos foram incorporados como potenciais motores de qualificação urbana. Assim, a proposta cria uma centralidade comunitária no coração do território, concentrando equipamentos de alimentação, convivência, serviços públicos e apoio às atividades produtivas, ampliando sua capacidade de atendimento e fortalecendo a autonomia local.
A morfologia existente, marcada por vias estreitas, ausência de drenagem, habitações de madeira e ocupação em área de risco, orientou a definição de diretrizes de realocação mínima e reassentamento interno. A proposta estabelece uma malha viária qualificada, com eixos prioritários de circulação a pé e de bicicleta, assegurando acessibilidade universal e reduzindo conflitos viários. A estratégia dialoga diretamente com a Ferramenta de Avaliação de Inserção Urbana do MCMV, garantindo atendimento aos indicadores de usos obrigatórios, complementares e eventuais, ao aproximar creches, escolas, lazer, comércio e serviços essenciais em trajetos caminháveis.
O manejo ambiental é estruturado a partir de bacias de retenção, áreas permeáveis, sistemas de escoamento e preservação da vegetação existente. Esse conjunto contribui para reduzir alagamentos, melhorar o microclima e criar paisagens produtivas e educativas. A implantação do parque, associada às unidades habitacionais previstas pelo PMCMV-E, articula um processo de urbanização incremental que respeita as identidades locais e promove permanência digna.
O projeto reforça a participação comunitária como elemento central, reconhecendo saberes locais e incorporando demandas construídas ao longo de anos de mobilização. O Parque Comunidade Steigleder constitui, assim, uma proposta de urbanismo social, ambientalmente responsável e tecnicamente exequível, que transforma vulnerabilidade em potência e reconstrói a relação entre território, comunidade e cidade.


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