O protagonismo da arte e da movimentação corporal na saúde corporal e mental é indubitável, podendo aprimorar habilidades motoras e o desenvolvimento cerebral, auxiliando na evolução, prevenção de doenças, no bem estar e na qualidade de vida da população.
Ademais, estas atividades representam fatores de sensibilização social e oportunizam a remodelação e o desenvolvimento de uma comunidade. A oportunidade de expressar opiniões e ideias pode formar revoluções e forjar o senso crítico, o sentimento de pertencimento e a percepção de coletividade, desenvolvendo o entendimento de que a realidade em que se está inserido não é estática e pode ser remodelada.
O reconhecimento de artistas de rua como trabalhadores legítimos é uma pauta sensível, que faz com que seja imprescindível a adoção de medidas de conscientização e apoio. A propagação dos benefícios das atividades desempenhadas por artistas marginalizados, assim como o acesso à prática das mesmas pelas comunidades, geram valorização artística e cultural, contribuindo para a dissolução do preconceito e da discriminação da arte periférica.
Registra-se escassez de áreas para a expressão artística, tanto para artistas quanto para a população em geral, o que compele o uso de espaços inadequados. Torna-se, assim, fundamental a implementação de locais que fortaleçam laços de coletividade e tragam esperança à população menos favorecida.
O projeto propõe suprir a carência de ambientes de refúgio e apoio para organizações artísticas e artistas independentes, idealizando espaços para a prática de atividades artísticas e de saúde, provendo suporte para organizações sociais que apoiem a comunidade artística. Busca-se tornar a comunidade mais segura, em contato com meios educativos e de expressão artística e corporal.
Ao desenvolver projetos que introduzem a população em meios artísticos, o objetivo não é que todos se tornem, de fato, artistas, mas sim que se tornem seres humanos que reflitam sobre a realidade em que estão inseridos. A arte estimula a diversidade cultural e a criatividade em sua pluralidade, combatendo teorias discriminatórias que condenam o excêntrico. (Faria e Garcia, 2003)
A escolha do local de intervenção desafia o pensamento atual a respeito da relação entre ambientes contemporâneos e reconhecimento de valores. Assume-se que edificações de característica contemporânea não são restauráveis e não transmitem valores, entretanto, a contemporaneidade não deve ser encarada como algo a ser corrigido, mas sim como forma de expressão e criatividade. (SALVO, 2008)
Ao reutilizar uma edificação, deve-se considerar a relação entre o objeto e os sujeitos que interagem com ele. A identidade dos povos do entorno precisa ser reconhecida, pois a arquitetura deve materializar a sociedade de forma atemporal, refletindo suas constantes transformações. O edifício alvo não deve ser considerado de forma isolada, mas sim como um contexto urbano que necessita de implicações práticas, sociais e culturais. (CARSALADE, 2014)
Por fim, o espaço proposto se configura como convidativo para artistas e visitantes, planejado para abrigar a maior diversidade possível de atividades artísticas, tornando-se um ambiente de acolhimento e apoio para qualquer tipo de público.


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