NOVA SEDE DO CENTRO ACOLHER – CENTRO REGIONAL DE REFERÊNCIA EM TRATAMENTO PARA PESSOAS AUTISTAS PARA A CIDADE DE CRUZ ALTA/RS

Resumo
O presente Trabalho de Curso, intitulado “Nova Sede do Centro Acolher – Centro Regional de Referência em Tratamento para Pessoas Autistas para a Cidade de Cruz Alta/RS”, aborda a Arquitetura aplicada ao desenvolvimento de espaços terapêuticos voltados ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta o sistema nervoso central, manifestando déficits desde a infância até a vida adulta. O aumento de diagnósticos recentes evidencia a necessidade de ambientes planejados que ofereçam tratamento multidisciplinar, promovendo inclusão social e melhoria da qualidade de vida. Nesse cenário, a arquitetura sensorial surge como ferramenta essencial para potencializar resultados terapêuticos, criando espaços que respeitem as especificidades dos pacientes e favoreçam sua integração na sociedade.
O objetivo é elaborar o anteprojeto da nova sede do Centro Acolher, em Cruz Alta/RS, como espaço acolhedor e estimulante, capaz de favorecer o desenvolvimento dos usuários e integrá-los à comunidade por meio de atividades de lazer, conhecimento e convivência. A proposta busca superar a visão tradicional de clínicas frias e pouco atrativas, criando ambientes humanizados que valorizem a experiência sensorial e incentivem a autonomia dos pacientes. O terreno escolhido, na Avenida Venâncio Aires, foi definido por sua proximidade ao Hospital São Vicente de Paulo e por estar em um entorno institucional estratégico, favorecendo a integração com equipamentos públicos e privados.
O conceito do projeto valoriza a previsibilidade dos acessos e circulações intuitivas, evitando sobrecarga de informações e crises sensoriais. Os blocos foram organizados por estímulos, separando terapias de alto e baixo impacto. Cada sala conta com espaços de escape e portas voltadas ao pátio, reforçando a autonomia e segurança dos pacientes. Os corredores conectam os ambientes, enquanto jardins e praças internas promovem momentos de descanso e socialização. O pátio central abriga uma praça de mosaicos, de onde partem corredores que levam à horta, pomar, labirinto, playground e praça molhada.
O projeto emprega sistemas estruturais como laje protendida e nervurada, garantindo maior vão livre e flexibilidade espacial. As áreas de convivência trazem a sensação de amplitude e luminosidade, com a pele de vidro aplicada em fachadas proporcionando integração visual com o exterior e aproveitamento da iluminação natural. Floreiras com irrigação automática foram incorporadas para assegurar manutenção eficiente da vegetação, reforçando a presença de elementos naturais como parte do processo terapêutico. Esses recursos técnicos dialogam com o conceito de arquitetura sensorial, criando ambientes que unem funcionalidade, estética e bem-estar.
A pesquisa demonstra a pertinência do tema e viabiliza a proposta de um espaço que poderá servir como referência regional no atendimento ao TEA, reunindo terapias multidisciplinares em um só lugar de forma planejada e humanizada. Além de atender às demandas crescentes da região, o projeto contribui para a área da Arquitetura ao propor soluções técnicas e conceituais que qualificam o espaço construído como agente ativo no processo terapêutico. Dessa forma, o Centro Acolher poderá desenvolver habilidades dos usuários, facilitar o acesso aos serviços e melhorar o entorno urbano, consolidando Cruz Alta como polo de referência e inclusão.

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