Ímpar: Centro de Atendimento, Apoio e Informação do Transtorno Do Espectro Autista

O Ímpar: Centro de Atendimento, Apoio e Informação do Transtorno do Espectro Autista é um projeto desenvolvido para atender o Vale do Taquari, implantado na cidade de Lajeado/RS. Através de pesquisas, observou-se a falta de locais e profissionais especializados para suprir as demandas de atendimento do Vale, sendo que além desses, outros empecilhos como o preconceito, a falta de compreensão da sociedade e locais públicos que não consideram as individualidades atípicas, também são enfrentados por quem está ou por quem convive com quem está no espectro nessa região. Dessa forma, propõem-se um Centro baseado em três pilares: atendimento, apoio e informação.
No Ímpar, as diretrizes do tema foram exprimidas em forma de espaço, sempre considerando as características e pré-existências da área de intervenção escolhida. Assim, criou-se para o projeto uma estrutura formal em formato de pente, para que fosse possível alocar os usos de forma clara e de acordo com os estímulos, para que o autista consiga compreender facilmente o comportamento esperado para as áreas e conseguir adaptar-se àqueles ambientes, visto que autistas reagem ao espaço através da hipersensibilidade ou da hipossensibilidade aos estímulos sentidos. A implantação, com acesso principal voltado para a via de menor fluxo deu-se dessa maneira para melhor aproveitar a topografia do terreno, a fim de criar apenas um nível térreo que colabora para a melhor percepção espacial dos ambientes e deixando para os fundos do lote, onde se acentua a topografia, uma área mais flexível que abriga uma passarela de contemplação entre a massa mais densa de vegetação. Ainda, a implantação assim disposta proporciona a criação de uma praça linear que surge do anseio de promover a interação entre autistas e comunidade, bem como melhorar a relação da sociedade para com o Parque do Engenho.
O Centro, composto por quatro barras principais dispostas em formato de pente, foi setorizado de acordo com a clareza dos estímulos. No setor de baixo estímulo são encontradas salas de atendimento com diferentes especialidades médicas e terapêuticas e no de alto estímulo encontram-se ambientes de usos complementares aos clínicos. Ademais, entre setores, foram criados espaços de transição, para descompressão e restabelecimento de sentidos entre os níveis de estímulo. Para o apoio, existe uma sala de longa espera, ao lado da sala de assistente social, além dos jardins internos para contemplação e espairecimento. Para a informação, foi criado um mini auditório e salas espelhos. Esses dois últimos pilares são alocados junto às zonas de administração e serviço, que contam com espaços que colaboram para o bom funcionamento do Centro.
Além da clareza organizacional, buscou-se o uso de sistema estrutural e materialidades simples. A estrutura é de laje com vigotas protendidas, EPS, concreto maciço e madeira laminada colada. As fachadas são compostas por acabamentos atemporais, como madeira, concreto e pintura branca, para que as cores deem destaque aos caminhos lúdicos propostos. Acredita-se, por fim, que o conjunto dessas diretrizes e escolhas juntas em uma edificação multidisciplinar e multissensorial possa incentivar a maior inclusão das pessoas com transtorno do espectro autista na sociedade.

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