Gênero, cidade e mobilidade: Revitalização na Estação Santo Afonso
No planejamento urbano contemporâneo, é fundamental realizar uma análise crítica sobre como os espaços urbanos são projetados e utilizados, considerando a participação das pessoas nas decisões urbanas. Nesse contexto, a incorporação da perspectiva de gênero torna-se essencial para reconhecer e valorizar as experiências e necessidades de todas as pessoas, especialmente das mulheres, promovendo cidades mais justas, seguras e acessíveis.
A relação entre gênero, cidade e mobilidade ainda carece de maior destaque nas discussões sobre o planejamento urbano. Este trabalho analisa a relação entre gênero, espaço e a transição da mulher do espaço privado para o público, destacando o impacto do corpo feminino nesse contexto, principal elemento afetado por essa dinâmica. O sistema patriarcal deixou marcas no desenho das cidades, historicamente planejadas para homens e que, por isso, desconsideram aspectos como gênero, raça e classe social. Essa realidade se evidencia na experiência feminina no espaço urbano, marcada por limitações de deslocamento e vulnerabilidade. Embora as mulheres sejam as principais pedestres, continuam sendo o grupo mais exposto às falhas do espaço urbano.
Segundo a autora Leslie Kern (2020), as mulheres constroem uma espécie de mapa geográfico mental ao se deslocarem pela cidade, identificando locais seguros e inseguros, pois são socialmente ensinadas a responsabilizar-se por eventuais violências sofridas. Essa percepção é confirmada por uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva, que aponta que grande parte das mulheres sente apreensão ao caminhar pela cidade ou utilizar o transporte público, devido à falta de infraestrutura urbana adequada. Além disso, a elevada incidência de violência sexual em locais públicos reforça a necessidade de medidas eficazes de prevenção, visto que um bom planejamento urbano possui potencial para transformar essa realidade.
Neste trabalho, propõe-se uma revitalização de uma área existente como protótipo para demonstrar como o planejamento urbano pode influenciar positivamente a mobilidade e a segurança de mulheres e grupos vulneráveis, por meio de soluções que considerem as especificidades de gênero. A cidade escolhida para o projeto é Novo Hamburgo, localizada no Rio Grande do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. Com base em critérios socioeconômicos, foi selecionada a Estação Santo Afonso como local de intervenção, por estar situada em uma área central e servir como ponto de passagem frequente das mulheres.
A proposta consiste na revitalização do entorno da estação, com intervenções em elementos urbanísticos e no baixio do viaduto, priorizando a segurança, acessibilidade e qualidade dos espaços. A partir da identificação dos pontos críticos e do redesenho das dinâmicas urbanas, o projeto busca contribuir para um novo paradigma de planejamento urbano, que valorize a diversidade, promova a equidade e transforme as cidades em espaços mais acolhedores para todas as pessoas.


Deixe seu comentário