FRATURA ECOLÓGICA: a criação de uma Universidade Parque como forma de restauração do ecossistema na Universidade Federal de Santa Maria, Campus Cachoeira do Sul

Diante do acelerado desenvolvimento exploratório da humanidade, fundamentado principalmente no capitalismo predatório, os nossos ecossistemas têm sido tão profundamente fraturados que podem não operar mais de maneira eficaz. Essa realidade se evidencia na atual crise global e nos diversos desafios ecossistêmicos enfrentados, como a crise climática no estado do Rio Grande do Sul. Nesse estado, 63% do território é caracterizado pelo segundo bioma com a maior perda percentual de áreas de vegetação nativa no país, o bioma pampa, no qual resta apenas 43,2% de vegetação nativa. Nesse contexto, o presente trabalho propõe a análise e o desenvolvimento de um projeto voltado à restauração do ecossistema atualmente fraturado da Universidade “X”, por meio da criação de uma Universidade Parque, fundamentada nos princípios e conceitos da Ecologia da Paisagem e da Ecogênese, com o objetivo de promover um futuro ecologicamente sustentável entre seres humanos e não-humanos. Para isso, a pesquisa se sustenta em um aprofundamento teórico-metodológico da Ecologia da Paisagem e, por meio do cruzamento de dados e informações com o uso de Sistemas de Informação Geográfica, possibilita a análise e a descrição da paisagem por meio de mapas temáticos. O resultado inclui a elaboração de mapas em duas escalas: a mesoescala, correspondente à Unidade de Paisagem onde está inserida a área de estudo, e a microescala, que abrange a própria Universidade. Na mesoescala, com base na quantificação e análise das mudanças na paisagem — extraídas por meio de métricas de decomposição da paisagem —, foi realizada a caracterização da área, considerando tanto os aspectos morfológicos definidos pelo bioma quanto os diferentes tipos de uso e cobertura do solo. Essa análise permitiu a identificação de corredores verdes e azuis e de seus respectivos nós de conexão, culminando na formulação de um masterplan com diretrizes para a preservação sistêmica da paisagem. Já na microescala, o estudo propõe um projeto de arquitetura da paisagem para a concepção da Universidade Parque, pautado nos princípios da Ecologia da Paisagem e da Ecogênese, com objetivo de desenvolver um ambiente que respeite e valorize o Bioma Pampa, promovendo sua conservação e recuperação. Essa abordagem multiescalar permite uma compreensão holística da paisagem, viabilizando ações tanto no interior da Universidade quanto em seu entorno, de forma a garantir a preservação e integração dos corredores ecológicos identificados na mesoescala. Assim, reforça-se a importância da arquitetura da paisagem, orientada pela ecologia da paisagem, como ferramenta estratégica para remediar a fragmentação da natureza nativa.

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