Fórum – Complexo de Cultura e Inovação

Fórum – Complexo de Cultura e Inovação
O projeto de intervenção na antiga Casa de Cultura de Santa Maria, edifício tombado em 2009 e reconhecido como um dos remanescentes mais significativos da arquitetura Art Déco local, parte do entendimento de sua importância cultural, histórica e simbólica para o Centro Histórico da cidade. Construído em 1944 para abrigar o Fórum de Santa Maria, o edifício representa um período de modernização urbana que se consolidou ao longo da Avenida Rio Branco, eixo que reúne grande parte do acervo Art Déco da cidade. Suas linhas geométricas, a sacada sobre a entrada, as janelas de madeira, o letreiro com as letras estilo Hollywood e a aresta curva no volume leste traduzem com clareza o estilo que marcou a paisagem urbana santa-mariense nas décadas de 1930 e 1940.
Ao longo de sua trajetória, o edifício acolheu funções institucionais e, mais tarde, culturais, tornando-se uma referência para diferentes gerações. Após a transferência do Fórum, o prédio recebeu a Casa de Cultura, com atividades de formação artística, oficinas e exposições, cumprindo papel essencial na democratização do acesso à cultura. A falta de manutenção continuada levou à sua interdição em 2015, em virtude de infiltrações, fissuras, falhas estruturais e danos no telhado. Essa interrupção de uso representou não apenas a perda de um equipamento cultural, mas também o afastamento da comunidade de um espaço carregado de memória e identidade. Diante desse cenário, a restauração do edifício se apresenta como uma ação necessária e estratégica, tanto no âmbito da preservação patrimonial quanto no fortalecimento da vida urbana no Centro Histórico. A Carta de Pelotas afirma que “só se protege o que se ama, mas só ama o que se conhece”, princípio que orienta esta proposta ao reconhecer que preservar um bem cultural significa garantir que ele continue acessível, compreendido e integrado ao cotidiano da cidade.
A intervenção proposta se dedica a revitalizar o edifício, corrigindo patologias acumuladas ao longo dos anos e garantindo condições adequadas de segurança, acessibilidade e desempenho. O objetivo não é apenas restaurar o edifício, mas reinserir sua função pública cultural de modo ampliado. Para isso, o projeto prevê a integração de um hub de inovação aos espaços culturais existentes, introduzindo áreas destinadas ao trabalho colaborativo, cursos, eventos e iniciativas de economia criativa. Os novos ambientes são adicionados de forma discreta e respeitosa, preservando os elementos arquitetônicos originais e valorizando a leitura do edifício histórico.
A proposta se articula às diretrizes do Distrito Criativo Centro–Gare, política municipal voltada à requalificação do centro da cidade por meio da inovação, da sustentabilidade e da ocupação qualificada de áreas subutilizadas. A antiga Casa de Cultura, por sua localização estratégica e por seu valor simbólico, tem potencial para se tornar peça-chave desse ecossistema urbano criativo. A restauração e revitalização do edifício não apenas preservam um bem arquitetônico, mas ampliam seu significado para a cidade. O projeto reforça que o patrimônio cultural pode assumir papel ativo no desenvolvimento urbano contemporâneo, unindo memória, cultura e inovação de maneira responsável e integrada.

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