EXPRESSO NORDESTE: O VLT como vetor de desenvolvimento regional e qualificação da paisagem urbana da RMPA

EXPRESSO NORDESTE: O VLT como vetor de desenvolvimento regional e qualificação da paisagem urbana da RMPA
O trabalho apresenta uma proposta integrada de mobilidade para o eixo nordeste da Região Metropolitana de Porto Alegre (Porto Alegre–Cachoeirinha–Gravataí), articulando planejamento urbano e implantação de um VLT como catalisador de requalificação do espaço público.
Parte-se de um diagnóstico amplo: sistema atual fragmentado, sobreposição de linhas de ônibus, altos custos e tempos de deslocamento, emissões elevadas do transporte rodoviário e segregação do acesso à cidade. A RMPA, com 4,3 milhões de habitantes, carece de integração multimodal de transporte público: Possui forte densidade populacional à leste e nordeste de Porto Alegre, mas a infraestrutura concentra-se na capital e no eixo norte da região.
Estudos e planos pretéritos (PLAMET, Linha Rápida, Linha 2/Trensurb, PITmurb) já apontavam a necessidade de estruturar o trajeto, mas nunca saíram do papel. E com relação às legislações urbanísticas municipais há respaldo normativo nos planos diretores locais, com incentivo para centralidades, adensamento e corredores qualificados nas avenidas que compõem a proposta de intervenção.
A comparação BRT x VLT destaca que, embora o VLT tenha maior complexidade e custo inicial, oferece melhor indução urbana, menor impacto paisagístico e compatibilidade com reurbanização de calçadas, ciclovias e espaços públicos.
A partir de processos de organização das análises com a utilização de matrizes de decisão, elencou-se as principais problemáticas e definiu-se três frentes de atuação: Requalificar, Integrar e Ocupar. Adiante realizou-se a setorização do trajeto em trechos típicos, com pontos críticos (terminais, pontes, viadutos, interseções) para soluções específicas. A localização das estações considera conexões regionais, nós urbanos e paradas padrão em intervalos razoáveis, promovendo integração com ônibus e micromobilidade com estações de bicicletas compartilhadas em um raio de 15 minutos.
Com a definição da proposta de implantação da infraestrutura e das diretrizes de requalificação urbana, foram elencados três pontos para demonstração com a produção de programas e planos de massas específicos. Para detalhamento mais aprofundado foi escolhida a “Área 03 – Taquara” a qual possuía a diretriz de ocupação e a implantação de uma estação multimodal de integração regional.
Assim o trabalho apresenta uma transformação urbana abrangente para a região da conexão entre a ERS-020 e da Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, em Gravataí, articulando infraestrutura de transporte, qualificação viária e reestruturação de usos do solo. A partir da proposta de uma operação urbana consorciada ancorada pela implantação da estação multimodal, abertura de nova via de conexão e a construção de
uma praça. Observando as regras de loteamento e os instrumentos urbanísticos pertinentes para a sua viabilização.
Por fim, reconhece-se que é uma proposta bastante ambiciosa e, considerando a atual conjuntura política e econômica, razoavelmente utópica. Contudo, como diria Eduardo Galeano, a função das utopias é nos fazer caminhar e, talvez, o verdadeiro objetivo deste trabalho seja de contribuir para uma retomada nas discussões sobre soluções, independente de qual tecnologia, para a mobilidade urbana da região. Debate público esse que parece ter adormecido após os fracassos da copa do mundo de 2014.

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