Edifício Residencial Multifamiliar – Living The Frame

Em meio a um cenário urbano marcado pela padronização e pela repetição de tipologias habitacionais, o projeto Living The Frame propõe uma nova forma de morar para a cidade de Pelotas/RS, questionando o modelo convencional dos empreendimentos imobiliários e apresentando uma alternativa que prioriza flexibilidade, comunidade e sustentabilidade. A proposta nasce do desejo de resgatar o caráter humano da habitação coletiva e de repensar as relações entre arquitetura, morador e cidade.

O edifício se insere em um contexto em que o habitar urbano tornou-se homogêneo e pouco adaptável às transformações da vida contemporânea. Em resposta, o projeto propõe uma arquitetura capaz de evoluir com o tempo e com seus habitantes, promovendo modos de vida mais dinâmicos, colaborativos e ambientalmente responsáveis. A flexibilidade espacial é o ponto de partida dessa reflexão, expressa em unidades habitacionais concebidas para se transformar conforme as necessidades de cada morador. Inspirado na metodologia do Open Building, o sistema construtivo distingue os elementos permanentes — estrutura, infraestrutura e circulações — dos componentes mutáveis, como divisórias, acabamentos e layout interno. Essa estratégia assegura ao edifício uma longa vida útil, reduz desperdícios e possibilita que cada unidade seja continuamente reinterpretada ao longo do tempo.

O segundo eixo do projeto é a construção de comunidade, fundamentada nos princípios do cohousing e na valorização da vida coletiva. Espaços compartilhados — como cozinhas, lavanderias, hortas e áreas de convivência — são distribuídos de forma estratégica para estimular encontros, trocas e colaborações entre os moradores. Mais do que áreas de uso comum, esses ambientes se tornam catalisadores de vínculos sociais, fortalecendo o senso de pertencimento e de vizinhança dentro de um contexto urbano frequentemente marcado pelo isolamento.

A sustentabilidade completa a tríade conceitual do Living The Frame, orientando decisões em múltiplas escalas — do desempenho técnico à vivência cotidiana. O projeto adota soluções passivas de conforto térmico e eficiência energética, integra sistemas de reaproveitamento de águas e incentiva práticas como compostagem e reciclagem. Essas ações não se restringem à eficiência ambiental, mas buscam promover uma cultura de responsabilidade ecológica e coletiva, onde o morar se torna também um ato de cuidado com o meio e com o outro.

Destinado a famílias e indivíduos que valorizam um modo de vida colaborativo e consciente, o Living The Frame propõe um novo paradigma de habitação, no qual arquitetura e tempo se entrelaçam para dar forma a um edifício aberto, mutável e vivo. Mais do que um conjunto de unidades residenciais, ele se apresenta como um organismo social em constante transformação, capaz de se adaptar às mudanças e de refletir as aspirações de seus moradores.

Assim, o projeto se afirma como um contraponto à rigidez dos empreendimentos tradicionais, oferecendo à cidade uma arquitetura que não se encerra em si mesma, mas que se mantém em processo — um verdadeiro “quadro” em permanente construção, onde o morar pode ser continuamente redesenhado pelos próprios habitantes.

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