Analisando o contexto atual acerca da insegurança alimentar, se elencam algumas problemáticas como o crescente aumento da população comparado a área disponível para o cultivo de alimentos. A ONU traz dados de que 80% de toda a terra arável no mundo já está em uso. No brasil, cerca de 27,6% das pessoas convivem com a insegurança alimentar.
O projeto é implantado em um vazio urbano subutilizado, em uma área altamente densificada na cidade de Gravataí. O local de implantação se justifica pela organização urbana: é limítrofe a duas comunidades socialmente vulneráveis, próxima de uma escola e área residencial em desenvolvimento.
Os objetivos do projeto se sustentam em três pilares: o plantio verticalizado com venda em feiras locais, um modelo que encurta a cadeia produtiva de alimentos, o paisagismo produtivo, em que a comunidade se apropria do espaço aberto para cultivo coletivo de matéria prima para os subprodutos, e também o ensino, através da cozinha escola, que utiliza os alimentos produzidos na fazenda ensinando a comunidade o melhor aproveitamento dos alimentos.
O conceito do projeto é se ocupar de um vazio urbano como agente de transformação, unindo tecnologias e processos simples pautadas na natureza, para que seja um ponto de referência a comunidade gravatiense.
Como diretriz formal, a intenção foi liberar o térreo para a atividades de lazer, cultura e comércio, além de implantar um paisagismo produtivo. Também, a implantação do volume junto a escola, favorece na questão da segurança e gera encaminhamento para o acesso ao volume da fazenda.
A edificação de aproximadamente 7800 metros quadrados é disposta em cinco pavimentos, sendo o térreo ativo que funciona como um espaço de lazer a comunidade, contempla as lojas para geração de renda, a cozinha escola, infraestrutura para feiras, produção de subprodutos e lounge para organização do acesso. A área externa, tem infraestrutura para feiras dos produtos e subprodutos, espaço para oficinas e horta e pomar comunitário. Os demais pavimentos pousam sobre o pilotis do térreo, e abriga as áreas de cultivo da fazenda vertical.
O funcionamento da edificação é resolvido por meio de processos cíclicos, em que através do cultivo e da produção de subprodutos, se promova o consumo e consequentemente a produção de resíduos, utilizados como matéria para compostagem e alimentação do biodigestor, que retornam como nutrientes e energia para a plantação. Além disso, também são reutilizadas as águas pluviais, bem como as águas cinzas e negras, que passam por processos de filtragem. Tornando a edificação retroalimentada, diminuindo o consumo de água potável e energia.
Proposta em estrutura metálica, em um grid modular de 7,2×7,2, proporcionando uma construção racional e com materiais predominantemente recicláveis.
Pensando na ventilação permanente e controle da incidência solar, foram propostos brises em policarbonato alveolar translucidos instalados em estrutura metálica pivotante que é afastada da edificação, como uma fachada ventilada.
Em síntese, arquitetonicamente a intenção da edificação é ter essa dinâmica de fomenta o uso da cidade, contribui para economia local e estimular hábitos saudáveis.


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