Centro Olímpico de Treinamento (C.O.T.P)

O Centro Olímpico de Treinamento Pelotense foi concebido como um farol de oportunidades para a juventude da cidade, priorizando ambientes lúdicos, seguros e formativos no contraturno escolar. Como equipamento público, assume transparência urbana e institucional: um edifício que se mostra, comunica seu funcionamento e convida à participação. A premissa é clara: investir no esporte é investir no futuro coletivo, ancorado nos pilares de transparência e oportunidade.
O objetivo é dotar uma área estratégica de Pelotas de infraestrutura desportiva com viés olímpico, capaz de qualificar o tempo livre e oferecer perspectivas de desenvolvimento humano e profissional vinculadas ao esporte. Em escala urbana, o Centro organiza fluxos, amplia a oferta de espaços públicos de qualidade e contribui para um cotidiano mais ativo e saudável, fortalecendo convivência e pertencimento.
O público-alvo abrange crianças a partir de sete anos, adolescentes regularmente matriculados em escolas locais e jovens adultos até 25 anos, com atenção especial a grupos com menor acesso a recursos e oportunidades. A combinação entre acolhimento, rotina estruturada e clareza espacial orientou as decisões de projeto, priorizando legibilidade, conforto e manutenção simples.
A estrutura — pórticos de aço e lajes steel deck — foi adotada para vencer grandes vãos e garantir flexibilidade. A construção a seco reduz prazos e desperdícios, facilita a coordenação de sistemas e permite expansões moduladas sem interromper a operação, assegurando plantas livres para quadras e ambientes de alta variabilidade programática.
Concebido para cerca de 1.000 usuários/dia, o edifício organiza-se em três grandes blocos: um centro aquático; um ginásio para esportes de quadra; e um corpo central articulador que concentra e distribui as conexões internas. Esse volume central atua como espaço permeável do conjunto — eixo de convivência e serviços que integra a praça interna e reúne, de forma compacta, núcleos pedagógicos e técnicos, alimentação e gestão. O programa contempla esportes de quadra (basquete, futsal, handebol e vôlei), quadra de tênis, piscina olímpica, fisioterapia e pilates, academia, salas de estudo, refeitório integrado e salas para diretoria, treinadores e reuniões.
Na materialidade, a envoltória é protagonista. A fachada principal ao sul permite grandes panos de vidro com luz natural difusa e leitura do programa sem penalizar cargas térmicas; por isso, os dispositivos de proteção concentram-se nas faces leste, oeste e norte e na cobertura, onde brises, beirais e aletas controlam ganhos solares e ofuscamento. As áreas de estudo contam com tratamento acústico. Em quadras e piscina, a orientação dos vãos e a difusão zenital evitam reflexos críticos, favorecendo segurança e legibilidade do jogo.
No desempenho ambiental, privilegia-se a viabilidade operacional: ventilação cruzada nas quadras, exaustão dedicada no recinto da piscina e captação/reúso de água pluvial para limpeza e irrigação. As coberturas sobre camarotes e arquibancadas do ginásio e do centro aquático recebem camada vegetal, que retém e filtra a água, aumenta a permeabilidade efetiva do lote e melhora o conforto térmico. A quadra de tênis, implantada sobre o refeitório central, funciona como laje ativa, reforçando sombreamento, inércia térmica e integrando a drenagem ao sistema de águas pluviais.

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