Centro-Dia e Residência Inclusiva para pessoas com deficiência
em São Lourenço do Oeste-SC
A proposta reúne um Centro-Dia e uma Residência Inclusiva pensados para atender
pessoas com deficiência em situação de dependência, suprindo a falta de espaços
dedicados a elas. O ponto de partida do projeto é reconhecer que a arquitetura não apenas
abriga funções, mas influencia diretamente a forma como cada indivíduo se relaciona com o
espaço, com a comunidade e consigo mesmo. Por isso, o conjunto foi concebido para
oferecer acolhimento, sensação de pertencimento e, ao mesmo tempo, condições para a
autonomia cotidiana.
O terreno escolhido está numa área de transição entre a cidade e a zona rural. Essa
condição híbrida cria um ambiente raro: próximo às atividades urbanas, mas com silêncio e
presença constante da natureza. A implantação aproveita essa característica, organizando
o Centro-Dia e Residência Inclusiva a partir de uma praça central. Esse espaço funciona
como ponto de encontro e também como porta de entrada do conjunto, conectando o
equipamento à cidade e convidando a comunidade a se aproximar. A residência se
posiciona na parte mais resguardada do lote, voltada para as araucárias e o declive natural,
garantindo privacidade e luz suave. Já o Centro-Dia faz frente para a rua, facilitando o
acesso de usuários, profissionais e familiares.
A arquitetura busca um equilíbrio entre simplicidade e cuidado. Os volumes baixos,
os telhados inclinados e o uso de materiais naturais aproximam o conjunto da escala
doméstica, afastando a estética institucional. O objetivo é criar ambientes que transmitam
familiaridade e conforto, especialmente importantes para pessoas com deficiência
intelectual ou autismo, mais sensíveis a estímulos. A organização dos espaços é clara e
intuitiva, evitando percursos longos e situações de desorientação. A iluminação natural é
controlada, as cores são neutras e os sons externos são filtrados por soluções acústicas
discretas.
No Centro-Dia, as oficinas (pintura, música, cozinha, artesanato e atividades
multimeio) foram distribuídas de modo a facilitar a circulação e permitir o acompanhamento
dos profissionais. Esses ambientes se somam a uma recepção ampla, um refeitório
integrado à praça e salas de atendimento individual, formando um conjunto funcional e
acolhedor. Há também um espaço dedicado às famílias, entendido como extensão do
próprio serviço: um local para trocas, encontros e apoio mútuo.
A Residência Inclusiva foi pensada como uma casa. A sala de estar, o jardim interno,
a biblioteca e o ambiente de refeições são o coração da convivência diária. Os dormitórios,
individuais ou duplos, garantem privacidade e conforto, sempre com vista para a natureza.
Um pequeno ateliê voltado para a horta permite atividades diárias, contemplando a o
movimento dentro da residência. Os espaços de serviços foram projetados para funcionar
de maneira independente, mas discretamente conectados ao restante do conjunto.
A materialidade reforça o caráter acolhedor: madeira, concreto aparente, blocos
cerâmicos e vidro laminado criam um ambiente durável, seguro e confortável. No conjunto,
a proposta busca ser mais do que um equipamento público — procura ser um lugar de
cuidado, convivência e vida cotidiana, inserido de forma natural na cidade e na paisagem.


Deixe seu comentário