centro de interpretação dos campos neutrais . uma aproximação à paisagem

“nos templos do egito antigo, encontramos o silêncio que rodeava os faraós; no silêncio das catedrais góticas, nos lembramos da última nota desvanescente de um canto gregoriano; o eco dos passos dos antigos romanos acabou de esmaecer nas paredes do Panteon. (…) O silêncio da arquitetura é um silêncio afável e memorável.”. Juhani Pallasmaa . Os Olhos da Pele

Intervir em um local que se originou a partir de um acordo de não o ocupar é, inevitavelmente, contraditório. É, porém, uma oportunidade de criar um equipamento que seja capaz de ressaltar suas características e singularidades, com o objetivo de estabelecer uma interface entre o visitante e a paisagem.

Entendendo o lugar como um espaço de transição e passagem, mas também de profunda conexão sociocultural e geográfica, o programa é decisivo para a consolidação do projeto, devendo atingir variados públicos, bem como a população local, pesquisadores especializados e turistas em visita.

Vinculado a uma das bases da Estação Ecológica do Taim, o projeto beneficia-se do plano de manejo já estabelecido para a região. Contudo, interpreta que para além do tema ambiental, de fundamental importância para a manutenção da paisagem natural, a compreensão histórica e geográfica desse território é indispensável para a sua conservação.

O projeto busca aproximar o visitante à paisagem dos campos neutrais, região ímpar na formação cultural dos povos do sul do continente. Foram nesses pagos que se mesclaram charruas e minuanos, paulistas que desciam e castelhanos que subiam. Compreendendo o valor natural, social, cultural, histórico e geográfico desse território, estabelece-se relações físicas e visuais com esse cenário, valorizando suas particularidades e trazendo luz ao tema de sua conservação.

Para além da preservação da natureza em termos biológicos, já amparada pela ESEC Taim, interessa a preservação da sua natureza imagética.

Do mesmo modo que o projeto procura estabelecer um lugar de aproximação física e imaginária com os campos neutrais, é, também, um espaço de interação entre os países vizinhos, Brasil e Uruguai. Em outra escala, busca dialogar com os vizinhos sul americanos a partir de um território comum, o pampa.

Valorizando as ações e objetivos da ESEC Taim, o programa amplia suas instalações para receber e acolher pesquisadores que utilizam a região como ponto de partida para pesquisas de campo. Assim, adicionalmente ao programa de caráter público e turístico, o centro de interpretação dos campos neutrais terá parte do seu programa adequado ao uso das atividades da estação ecológica.

Um lugar onde o visitante entenda essa condição de pertencimento em si mesmo. Da solidão de estar no horizonte. Como tinham os charruas e os minuanos, como tem o gaúcho. Uma condição imposta pela paisagem, pelo vento.

É um convite a sentir o soprar do minuano, a ouvir o grito do tachã, a observar a coreografia das capivaras e o sincronismo do gado pastando no campo, a ouvir o galope do cavalo.

Ouvir, no silêncio do pampa, o galope dos charruas.

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