CENTRO DE ATENDIMENTO E APOIO PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS

CENTRO DE ATENDIMENTO E APOIO PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS
A inclusão social e a acessibilidade têm ganhado destaque nas discussões urbanas e arquitetônicas, reforçando a importância de projetos que promovam autonomia e qualidade de vida para pessoas com deficiência intelectual. A arquitetura, nesse contexto, atua como instrumento essencial para garantir integração, igualdade e dignidade. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência, sendo 80% em países em desenvolvimento, como o Brasil. O Unicef estima que 150 milhões de crianças apresentam alguma deficiência, enquanto o IBGE aponta que 45 milhões de brasileiros convivem com limitações físicas ou intelectuais. Apesar de representarem parcela significativa da população, essas pessoas ainda enfrentam barreiras que dificultam sua participação plena na sociedade.
Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, essa realidade se evidencia pela baixa oferta de espaços adequados e acessíveis. A cidade dispõe de apenas uma instituição destinada ao atendimento desse público, situação que gera longas filas de espera e serviços incapazes de acompanhar a demanda crescente. Isso também afeta diretamente as famílias, que muitas vezes assumem os cuidados de forma integral, comprometendo rotina, estabilidade e bem-estar.
Diante desse cenário, propõe-se o Centro de Atendimento e Apoio para Deficientes Intelectuais, um equipamento urbano de interesse social voltado a crianças, jovens e adultos. O projeto busca oferecer suporte terapêutico, educacional e psicossocial, além de promover integração social, convivência e fortalecimento dos vínculos comunitários. A proposta vai além de uma edificação funcional: pretende constituir-se como um espaço de acolhimento, desenvolvimento e inclusão.
O terreno escolhido localiza-se no Centro de Canoas/RS, próximo à Av. Getúlio Vargas, BR-116 e Estação Canoas, garantindo fácil acesso e conexão com o transporte público. Trata-se de um lote de esquina sem edificações consolidadas, o que favorece uma implantação que valoriza permeabilidade visual, acessibilidade e boa relação com o entorno. A proposta organiza um bloco térreo comercial que cria uma conexão fluida entre a Av. Guilherme Schell e a R. Pedro Weingartner, ativando a vida urbana e aproximando o edifício dos pedestres. Sobre esse volume se distribui o programa do Centro de Atendimento, cujo bloco superior recebe subtrações que conferem leveza, ampliam a ventilação e criam aberturas que enriquecem a volumetria.
Os ambientes internos são planejados para serem inclusivos, seguros e confortáveis, considerando as especificidades sensoriais e cognitivas dos usuários. A organização dos espaços favorece fluxos intuitivos, autonomia e clareza na circulação, integrando áreas de terapia, salas pedagógicas e ambientes de apoio familiar. A relação entre espaços internos e externos contribui para estimular a percepção espacial, o lazer terapêutico e a humanização do cuidado. O pavimento de transição — amplo e multifuncional — articula setores do edifício, promovendo flexibilidade, integração e eficiência.
Assim, o Centro se estabelece como referência no fortalecimento da inclusão e na garantia de direitos, materializando o compromisso com uma cidade mais acolhedora e democrática. Ao promover acessibilidade física, sensorial e social, o projeto reafirma que todas as pessoas devem ser vistas, respeitadas e plenamente integradas à vida coletiva.

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