CENTRO CULTURAL DE GARIBALDI
Localizado no coração da Serra Gaúcha, o município de Garibaldi é reconhecido por sua herança histórica e vínculos com a cultura italiana, mas ainda carece de infraestrutura voltada às manifestações artísticas locais. O projeto do Centro Cultural de Garibaldi surge como resposta a essa lacuna, buscando consolidar um espaço que una cultura, educação e convivência, promovendo o desenvolvimento social e o fortalecimento da identidade cultural da cidade.
O ponto de partida do projeto foi o reconhecimento das dificuldades e necessidades enfrentadas pelos grupos culturais locais, companhias de teatro, dança e música que, por falta de alternativa, utilizam clubes e salões improvisados para ensaios e apresentações. A proposta, portanto, nasce da observação da realidade da comunidade, com o objetivo de oferecer um ambiente acessível.
O terreno escolhido localiza-se próximo ao centro histórico da cidade, garantindo assim um alinhamento cultural. Essa posição estratégica favorece o fluxo de pessoas e o diálogo entre o novo e o antigo, sendo um dos pontos fundamentais para o projeto. Nesse contexto, a edificação histórica existente no terreno foi preservada e adaptada para abrigar um café, tornando-se um elemento de transição entre o histórico e o novo conjunto arquitetônico.
O partido arquitetônico desenvolve-se a partir de uma malha modular, que organiza três edifícios interligados: o auditório, as oficinas e a biblioteca com galeria de arte. O auditório, principal, destaca-se pela forma e pela cor, simbolizando a expressão artística de como o local é, utilizando a cor amarela para os espaços agitados enquanto a cor azul é para os espaços sossegados, além da forma geométrica que é definida pela arquibancada interna. As oficinas foram dispostas nas áreas com melhor insolação, garantindo conforto térmico aos usuários que permanecem por longos períodos. Já a biblioteca e a galeria, voltadas à contemplação, foram posicionadas nas zonas de menor exposição solar, para não danificar o material.
Os princípios de conforto ambiental e topográfico orientaram a maioria das decisões técnicas. Foram adotadas fachadas ventiladas, brises e fechamentos em blocos celulares com EPS, além de cobertura metálica do tipo sanduíche, assegurando isolamento térmico e acústico. Já em relação a topografia ela fica relacionada fortemente com a posição dos edifícios e o encaixe que eles têm entre si, formando a conexão e o fluxo das pessoas internamente. Outra diretriz importante é o eixo direcionado pela da rua Manoel Peterlongo Filho até a rua David Sartori, em que trás um percurso com continuidade dentro do terreno. Essa linha percorre a praça seca e os espaços verdes que se interligam com as araucárias preservadas, assim criando espaços de descanso e convivência, permitindo assim usos, como de feiras culturais a apresentações ao ar livre.
Mais do que um edifício, o Centro Cultural de Garibaldi propõe um espaço de acolhimento e expressão, onde a arte encontra lugar para crescer, pertencer e se tornar parte viva da cidade.


Deixe seu comentário