O projeto propõe uma reflexão sobre a responsabilidade social da arquitetura
diante de problemáticas urbanas e ambientais emergentes. Parte da constatação de
duas demandas críticas em Parobé/RS: o aumento de animais abandonados e a
carência de equipamentos públicos adequados para o tratamento em saúde mental.
A proposta integra essas questões em uma solução arquitetônica inovadora: um
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que utiliza a Terapia Assistida por Animais (TAA)
como metodologia terapêutica e instrumento de reabilitação tanto para seres humanos
quanto para os animais resgatados. O conceito baseia-se no mutualismo, relação de
benefício recíproco entre espécies distintas, princípio que orienta toda a concepção
espacial e simbólica do edifício.
A implantação ocorre no Horto Municipal de Parobé, antigo cenário de
denúncias de maus-tratos, agora ressignificado como território de cura e reconexão
com a natureza. O partido arquitetônico preserva a vegetação nativa e as trilhas
existentes, integrando o edifício à paisagem. A implantação linear acompanha o
terreno, explorando a topografia para separar os fluxos de entrada de pacientes e
animais, valorizando a orientação solar e as aberturas voltadas ao entorno natural.
Formalmente, o projeto organiza-se em volumetrias conectadas por pátios
internos e eixos visuais voltados à natureza. Esses vazios exercem papel terapêutico ao
permitir luz, ventilação e contato com a vegetação, reforçando a sensação de
acolhimento e pertencimento. A linguagem arquitetônica é leve e contemporânea,
com uso de estrutura em madeira laminada colada, tijolo ecológico modular e
coberturas inclinadas que favorecem o sombreamento, a ventilação cruzada e a
captação da água da chuva.
A setorização funcional distribui-se em quatro núcleos principais: acolhimento e
terapias humanas, tratamento animal, abrigo animal e convivência entre espécies.
Todos se articulam por um eixo central que promove encontros visuais entre humanos e
animais sem comprometer o controle sanitário e acústico. O fluxo foi planejado para
garantir acessibilidade, privacidade terapêutica e fluidez, evitando cruzamentos e
assegurando o bem-estar dos usuários.
Com base em princípios da neuroarquitetura e da biofilia, o espaço estimula
percepções sensoriais positivas por meio da luz natural, da ventilação cruzada e da
materialidade tátil. Os ambientes se abrem para o exterior, diluindo as fronteiras entre o
construído e o natural. Essa integração cria uma atmosfera terapêutica em que corpo,
mente e ambiente atuam de forma conjunta no processo de cura, tanto para humanos
quanto para os animais.
Mais do que um edifício, o CAPS Re Integra consolida-se como um equipamento
urbano terapêutico e simbólico: um marco de regeneração e empatia. Ao unir saúde
mental, sustentabilidade e reabilitação animal, o projeto reafirma o papel social da
arquitetura como mediadora entre o ser humano, o ambiente e as demais formas de
vida.


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