Anexo da BPE: Conhecer para valorizar

Anexo da BPE: Conhecer para valorizar
Este estudo apresenta uma proposta de projeto para o Anexo da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul – BPE, em Porto Alegre/RS. O objetivo do Anexo é servir como extensão da BPE e possibilitar seu crescimento como instituição de cultura, suprindo suas necessidades atuais e futuras, através da salvaguarda do patrimônio histórico-cultural do acervo público. Como um novo marco urbano, parte de uma abordagem de conexão com a BPE e o Centro Histórico.
A BPE é responsável pelo maior acervo do Estado e abriga a sede do Sistema Estadual de Bibliotecas – SEB. Ao longo de sua história, se reinventou e readaptou seus espaços internos à medida que os acervos e as funcionalidades técnicas e administrativas cresceram vertiginosamente. É nesse cenário de antigas e novas demandas e dificuldades, e do desejo de ampliar a vida útil e garantir o futuro da BPE, que surge a necessidade de expansão adequada em um novo espaço que concilie as atividades técnicas, administrativas e do acervo com as atividades culturais realizadas pela instituição.
A BPE ganha importância pelo seu acervo valioso e pelo seu prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual e Nacional. O inventário atual contabiliza cerca de 140 mil volumes. Ao longo dos anos, em decorrência dos diversos alagamentos e danos sofridos pelo prédio da BPE, o volume de obras diminuiu devido às diversas movimentações de partes do acervo para outras instituições.
O projeto apresenta o Anexo como uma alternativa de extensão da BPE, adequado às novas atividades e atende ao propósito de centralizar, organizar, consolidar, proteger e tornar disponível o acervo público.
O local de intervenção para a implantação no Anexo é no Centro Histórico, dentro do perímetro da Área de Interesse Cultural e do sítio arqueológico municipal e estadual. A localização próxima a sede possibilitou explorar conexões com o entorno, partindo de dois eixos estruturais: o primeiro é a BPE, no sentido da rua Riachuelo; e o segundo no eixo da Praça da Matriz com a Catedral Metropolitana Madre de Deus. Nesse sentido, a arquitetura busca uma linguagem silenciosa e sensível que respeita os edifícios vizinhos através de alinhamentos de fachada e altura, ao mesmo tempo em que utiliza materiais que fazem referência a esses ícones urbanos.
O programa é dividido em dois blocos com o intuito de segregar fluxos e atividades. O bloco da midiateca recebe as atividades culturais e a biblioteca, enquanto o bloco do acervo abriga as funções administrativas e o acervo físico e digital. A conexão entre os blocos é feita por passarelas interligando os pavimentos até o nível do terraço no bloco da midiateca, onde é possível observar a bela vista da Catedral. O auditório e a reserva técnica foram posicionados nos dois níveis de subsolos de modo a aproveitar o desnível natural de 6 metros do terreno. E uma grande praça aberta no nível térreo foi criada para receber as feiras e eventos, propondo um uso público e ativo do espaço.

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