Academia de Cinema de Porto Alegre
O projeto para a Academia de Cinema de Porto Alegre tem como objetivo a proposição e fortalecimento de um centro de integração da comunidade audiovisual, que aborda o cinema, a arte, a cultura e a sociedade, utilizando a arquitetura como meio para alcançar harmonia entre o estudo, a produção audiovisual, e o fortalecimento do cinema nacional. A proposta parte do entendimento sobre a falta de espaços dedicados ao estudo específico do cinema e à integração da comunidade audiovisual na capital, que é um polo importante do cinema nacional. Se propõe uma reflexão sobre as necessidades dessa comunidade em relação aos espaços necessários para estudo e produção audiovisual, além das formas de apropriação desse espaço.
Localizado na Rua General João Telles, no bairro Bom Fim em Porto Alegre/RS, o lote se mostra com boas possibilidades de relação com o tema de projeto. A escolha se justifica principalmente pelo caráter cultural do bairro, e pela proximidade com locais de grande fluxo e de instituições relacionadas à arte e à cultura. A implantação em área central da cidade busca ainda facilitar o acesso, aproveitando a infraestrutura de mobilidade urbana já consolidada como forma de democratização do ensino.
O programa é fundamentado na definição de setores, com objetivo de permitir o ensino e a produção do cinema, e ainda aproximar o público com o cinema nacional. Dessa forma, o nível térreo abriga parte do setor cultural e se coloca como extensão do passeio. O subsolo funciona como um grande foyer de exposições para o acesso às salas de cinema, e apresenta relação visual com o térreo através de um grande átrio central. Ambos os pavimentos são áreas de uso livre abertas ao público. O setor educacional acontece nos pavimentos da barra, onde são distribuídas salas de aula teórica, estúdios de gravação, ilhas de edição e módulos de apoio ao cinema local.
Com volumetria simples e pureza formal a edificação se volta para seu interior, onde o movimento interno é protagonista. A flexibilidade de alturas internas é proposta com objetivo de realização de gravações, exposições e atividades diversas. Como forma de preservar a leveza do projeto e possibilitar grandes vãos e abertura de vazios, o sistema estrutural é composto por estrutura em grelha com vigas metálicas pré-fabricadas, em módulos 70cm x 70cm. Sobre a grelha é instalada laje tipo steel deck. Os pilares são também metálicos seção H 60cm x 60cm, com cobrimento em concreto.
Na busca por uma arquitetura que pudesse expressar o cinema e externalizar sua essência, é proposta uma fachada composta por três momentos. A primeira cena, chamada A tela em branco, busca uma abstração do conceito e abre espaço à interpretação. A segunda é caracterizada pelo movimento interno, que se evidencia por meio da translucência difusa que atravessa o pano branco, gerando silhuetas que se modificam de forma leve e dinâmica. A última cena externaliza o cinema e destaca a produção nacional, possibilitando total liberdade de expressão artística sobre a tela em branco.


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