QUALIFICAÇÃO URBANA DO BAIRRO INDUSTRIAL

Na década de 1970, o Brasil vivia o período denominado “milagre econômico”, onde o poder público, visando o desenvolvimento industrial e o crescimento econômico, concedia incentivos à instalação de indústrias em distritos industriais. O primeiro Distrito Industrial do Estado do Rio Grande do Sul foi criado em Farroupilha, na Serra Gaúcha, em local de fácil acesso por rodovias estaduais e próximo à ferrovia. A implantação de loteamentos populares para suprir a demanda de pessoas atraídas pela oportunidade de novos empregos deu origem ao Bairro Industrial.
Este trabalho trata da Qualificação Urbana do mesmo, aqui compreendido pelo bairro Industrial propriamente dito, e os bairros lindeiros a ele, delimitados pela ERS-122 e RSC-453: América, Alvorada e Monte Pasqual. São bairros ainda não totalmente consolidados, em processo de densificação em direção às bordas, cujo perfil dos habitantes é muito semelhante.
A posição geográfica afastada da área central da cidade, a existência de loteamentos populares e de muitos edifícios do Programa Minha Casa Minha Vida, somados à deficiência de infraestrutura dos bairros e ao crescimento intensificado de assentamentos irregulares (na faixa de servidão das redes de alta tensão, faixa de domínio da ferrovia e APPs) refletem a falta de planejamento urbano universal e abrangente e a falta de qualidade espacial para toda a comunidade, o que reforça a segregação espacial e social.
As propostas desenvolvidas nasceram a partir do diagnóstico e, portanto, são pertinentes ao lugar. Buscou-se, sobretudo, unidade e conexão – conectar pessoas, lugares, bairros e cidade. Conectar entre si e com o todo. Unir fragmentos e formar um todo. Valorizar a comunidade e melhorar a qualidade de vida dos moradores. Potencializar laços e relações e proporcionar espaços que transformem a paisagem do lugar, qualificando-a. Ao mesmo tempo, respeitar o existente. Construir sentido de lugar e identidade.
O masterplan foi norteado pela identificação de diferentes setores dentro dos bairros e foi estruturado em quatro eixos:
– Centralidades: com âncoras para auxiliar na legibilidade e formação de identidade, reconhecendo e reforçando a centralidade existente e dando condições para criação de centralidades secundárias e centros de vizinhança;
– Mobilidade: maior legibilidade do traçado e enfrentamento da fragmentação do tecido, estabelecendo novas conexões entre os bairros e novas costuras urbanas com o restante da cidade, além do incentivo ao uso de modais alternativos, como caminhadas e bicicletas;
– Habitação: suprir a demanda habitacional, realocando as famílias em assentamentos irregulares para sítios bem localizados dentro da área (não segregados), além de parâmetros para ocupação dos vazios urbanos a fim de atingir o caráter que se pretendo para o lugar;
– Estrutura verde urbana: criação de rede de espaços abertos dispersos na área, em diferentes escalas. Implantação de parque linear ao longo da ferrovia desativada, com atividades variadas acontecendo no percurso, atuando como elemento de costura do lugar. Além disso, foram propostas técnicas compensatórias de drenagem visando a sustentabilidade do local, tais como biovaletas, jardins de chuva e corredores verdes que, juntamente com o parque linear, conectam todos os espaços abertos – elementos integradores.

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