Projeto Morada: Centro de Acolhimento ao Menor Passível a Adoção

O processo de adoção no Brasil, em termos legais, nos remete ao início do século XX. O Código Civil tratou pela primeira vez do assunto em 1916, embora seja previsto no país desde 1828. A Lei de Adoção passou por diversas alterações e ganhou os contornos atuais a partir de 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê em seus artigos o procedimento de adoção.
Embora sejam inúmeras as famílias que buscam a adoção no país, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem no Brasil mais de 30 mil crianças e adolescentes em situação de acolhimento, sendo o Rio Grande do Sul o 2° estado com o maior número de crianças incluídas no cadastro.
Com base nesse contexto, o objetivo central da proposta é proporcionar a esses menores um Abrigo Institucional, oferecendo acolhimento provisório com condições dignas em um ambiente com qualidade arquitetônica e funcional, tendo como público-alvo menores de 0 a 18 anos, sob medida protetiva de abrigo.
Localizado em Porto Alegre – RS, na Av. Venâncio Aires – Bairro Santana, a área de projeto foi escolhida por se tratar de uma região central em meio a capital Gaúcha, que atende as premissas nacionais estipuladas de que a edificação deve ter aspecto semelhante ao de uma residência, estar inserida na comunidade dentro de áreas residenciais, oferecer um ambiente acolhedor e ter em suas proximidades serviços relevantes como escolas e hospitais.
A proposta engloba 3 pilares fundamentais para a criação do Centro de Acolhimento:
1) O tema: criar um Abrigo Institucional destinado a jovens e crianças carentes de acolhimento no Brasil, com capacidade total estipulada para 40 menores;
2) O método: a pré-fabricação como método construtivo mais sustentável e eficiente, aplicado por meio da estrutura em aço com componentes produzidos na indústria para serem montados no local de projeto;
3) A modulação: a Arquitetura Modular Volumétrica criada a partir de células com dimensões pré-estabelecidas – 2.5×5.0, 2.5×7.5 e 2.5×3.75 (circulação vertical), com seus ambientes definidos conforme modulações. No projeto a utilização de modulação tem como principal vantagem e justificativa a possibilidade de fácil expansão. Dada a crescente demanda de acolhidos no país, o conjunto arquitetônico seria facilmente ampliado ou modificado por meio do acréscimo de novos módulos.
Considerando a variabilidade das demandas que surgem ao acolhimento, as unidades têm a proposta de ocupação dinâmica. Sendo assim, não são definidas faixas etárias ou divisões de gênero para a ocupação de cada uma das unidades residenciais. A parte frontal da edificação é de cunho administrativo, a posterior (aos fundos) é de uso coletivo e o núcleo central composto por 4 unidades residenciais (cada uma com capacidade para 10 menores) e circulação vertical.
O projeto, em sua essência, visa legitimar o direito de toda criança ou adolescente, ter a oportunidade de vivenciar um lar, com acesso digno à saúde, alimentação, educação e lazer.

Deixe seu comentário