Teko Jeapo escola autônoma Mbya Guarani

O projeto consiste na expansão e adequação do espaço e edificações que englobam a Escola Autônoma Teko Jeapo, localizada no município de Maquiné, Rio Grande do Sul. A aldeia da Etnia Mbya Guarani, Tekoa Ka’aguy Porã (aldeia mata sagrada), se localiza numa terra do governo do Estado que foi retomada pelos indígenas em 2017. A demanda vem da necessidade de espaços edificados para realização das vivências, aulas práticas, eventos e autossuficiência que estão relacionadas com a os objetivos da escola.
A intenção de trabalhar com a comunidade veio do meu envolvimento nos processos de projeto e construção da escola, a partir da percepção da importância desse papel para a comunidade. Nesse contexto vejo o arquiteto como um facilitador do processo de materialização dos sonhos, ao dialogar com a comunidade, organizar ideias e demandas, propor soluções integradas e condizentes a realidade do local, articular técnicas tradicionais e novas tecnologias, gestionar a obra e mutirões, ensinar e aprender sobre processo construtivo. Envolver a comunidade para que todos possam adquirir autonomia para posteriormente utilizar as experiências em outras necessidades.
Teko Jeapo é a cultura em ação que é construída pelo seu povo, tem como objetivo a Liberdade do mesmo para educar suas crianças, produzir conhecimentos, compartilhar a sua cosmovisão com outras culturas. Representa um espaço de aprendizagem intercultural, assim possibilita o fortalecimento da cosmovisão Mbya entre os jovens, e ao mesmo tempo, o desenvolvimento de diálogos entre o conhecimento dos demais povos originários e com outros povos, preparando os Mbya para uma realidade de encontros étnicos em que sua cultura seja valorizada.
O desenho do projeto que compõe o território da escola visa a integração dos espaços, criando atividades que se complementam, entendendo a Teko Jeapo por não se limitar as estrutura espaciais das edificações, mas sim. Organizo o espaço por meio da centralidada do local de encontro onde ocorrem grandes rodas de conversas, cantos e danças tradicionais e demais atividades importantes, assim se espalhando caminhos como raízes que conectam com as demais atividades. As edificações propoem a redesenhar a arquitetura indígena relacionando as práticas ancestrais com conceitos projetuais contemporâneos, buscando acima de tudo espaços que acolham as necessidades da comunidade e demais participantes da Teko.
A escola se dá pela vivencia, ela ocorre no momento presente, onde o brincar é tão sagrado quanto escutar os mais velhos, onde a teoria se dá pela prática. Uma escola onde se pretende a ensinar a viver a cultura de forma autônoma, a descolonizar a mente humana dos paradigmas ocidentais, deve ser livre assim como seus alunos. Por isso a materialização destes conceitos se da por uma
arquitura autônoma, que proporcione o empoderamento das pessoas em relação ao processo contrutivo, por isso a importância do uso de materiais locais e naturais, que incentivem trabalho manual, criando assim novos artesões que darão processeguimento a cultura.

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