CASE – Centro de Atendimento Socioeducativo para Menores Infratores

O tema deste projeto surge a partir de uma reflexão acerca da realidade em que se encontram as instituições de acolhimento do jovem em conflito com a lei, visto atualmente um contexto político social que não oferece suporte físico e emocional adequado para esses adolescentes. Dados levantados em 2016 pela Comissão de Infância e Juventude do Conselho Nacional do Ministério Público revelam que dezesseis Estados brasileiros apresentam superlotação nas unidades de internação de menores infratores. Atualmente Caxias do Sul conta com uma unidade socioeducativa de internação com privação de liberdade no Bairro Reolon. Esta, comporta 40 internos, porém se encontra em superlotação com cerca de 60 jovens. Assim, a proposta de projeto para um CASE no bairro Nossa Senhora das Graças em Caxias do Sul busca desenvolver um projeto adequado e humanizado, entendendo e estabelecendo as necessidades para a reinserção dos jovens no meio social.
Se tratando de menores infratores, indivíduos em desenvolvimento intelectual e social, quanto mais próximos de uma arquitetura acolhedora e que integre os internos a seus familiares e à comunidade, mais próximos estaremos da reintegração destes jovens como cidadãos e consequentemente de uma sociedade mais justa.
Buscou-se uma estratégia projetual que exemplificasse alguns pontos considerados essenciais para o processo de ressocialização dos jovens na sociedade. Com foco na integração e equilíbrio dos espaços edificados e dos espaços não edificados, surge a estratégia de desmembramento da edificação através da segregação das funções e dos usos, criando-se volumes dispostos sob o terreno com tamanhos e formatos distintos, de acordo com o dimensionamento do programa de necessidades estabelecido pelo SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo). É na desconstrução dos usos que se recriam novos espaços de conviver e transitar, apresentando diversos meios de circulação e integração, que se unem através da mutabilidade do espaço.
Para o sistema estrutural do complexo, foram pensadas estruturas que atendessem ao conforto e resistência necessários e exigidos na norma, além de materiais sustentáveis e que oferecessem maior aconchego aos espaços. Os painéis CLT estruturais e as vigas e pilares em MLC garantem durabilidade, baixo impacto ambiental e leveza para as edificações. A escolha dos dois métodos construtivos para o sistema estrutural possibilita a padronização das estruturas criando-se uma modulação que organiza a configuração dos ambientes internos e ordena o ritmo das fachadas.
As esquadrias são diferenciadas de acordo com o programa de necessidades e a necessidade de maior segurança. As esquadrias basculantes foram projetadas em espaços de maior permanência dos adolescentes, podendo garantir a troca de ar e ao mesmo tempo servir como barreira de segurança. Para os revestimentos internos, utilizou-se granilite para o piso e, seguindo a modulação externa revestiu-se também as paredes onde necessita maior higienização e limpeza. Na fachada, para os ambientes de maior permanência dos adolescentes foi usada pedras ardósias na cor chumbo. Áreas de descontração como lazer e educacional foram utilizadas pedras na cor cinza claro. Nas edificações que unem as duas características, interligou-se as cores no momento de encontro dos usos criando um mosaico na fachada.

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