Armazén dell Acqua – Cachaçaria

 

A vinda dos imigrantes italianos para o Brasil entre o século XVIII e século XX, resultou em profundas mudanças no panorama cultural. As influências trazidas por eles, ainda hoje, são percebidas através do legado patrimonial presente no cenário das colônias. A arquitetura da imigração italiana no Rio Grande do Sul ficou conhecida no país por sua linguagem própria, contando com vários representantes expressivos desse período. Sendo assim, preservar esse legado é de suma importância para manter viva essa história. Localizada no Sul do país, a cidade de Silveira Martins- RS, é uma das cidades que compõem a Quarta Colônia de Imigração Italiana. Constituído por riquíssimas paisagens naturais e históricas, o local proporciona aos visitantes experiências culturais e sensoriais únicas.
É na planura de uma região composta pela topografia acentuada, com morros repletos de uma densa e diversificada massa de vegetação e sinuosos cursos de água que o Moinho Moro se encontra. Com seus 140 anos de história, o conjunto arquitetônico ainda desempenha seu importante papel na produção de cachaça e farinha. Atualmente, devido ao estado de deterioração tanto do moinho quanto do alambique, torna-se urgente a intervenção para que a edificação continue fazendo parte da história do lugar.
Sendo assim, a proposta do projeto buscou fazer um resgate do patrimônio material e imaterial da cultura italiana presente na cidade através da intervenção na pré-existência Moinho Moro e implantação de uma fábrica de cachaça.
O conjunto arquitetônico composto pela residência, cantina, moinho e alambique, localiza-se na área rural da cidade, sendo um importante exemplar da arquitetura colonial da imigração italiana. Segundo dados levantados, o conjunto foi um dos primeiros a ser construído, tendo aproximadamente 140 anos.
Além das características arquitetônicas da edificação, preservar o conjunto significa manter sua importante função na manufaturação da farinha e da cachaça. A farinha era a base da alimentação do imigrante e a cachaça foi inserida nos hábitos alimentares dos colonos devido ao processo de aculturação que os imigrantes sofreram quando chegaram no país.
Outro motivo que levou a escolha do tema, foi o fator social como forma de desenvolvimento da região. Atualmente a economia da região é baseada na pequena propriedade agrícola, devido a topografia do local, e na agroindústria. A venda da cachaça produzida, muitas vezes, é utilizada como uma forma complementar a renda familiar. Entretanto, devido à falta de infraestrutura nos locais de produção e a pequena quantidade produzida por família, acaba dificultando a inserção dos produtores no mercado. A intensão do projeto é que a fábrica funcione como uma cooperativa, onde vários produtores forneçam a matéria-prima e produzam em um espaço adequado, tendo assim participação nos lucros, consequentemente, incrementando a renda familiar e viabilizando a sua inserção no mercado.

 

Parecer do júri

A Comissão Julgadora do Prêmio decidiu atribuir ao trabalho Armazém dell’Acqua, em Silveira Martins, o Prêmio IABRS 2016 José Albano Volkmer, pelas grandes qualidades encontradas no projeto. O trabalho apresenta uma proposta de recuperação do patrimônio por meio do espaço produtivo, de modo inovador, aliando os aspectos culturais à modernização do sistema produtivo local. A solução formal é delicada com a construção pré-existente, sem se anular ou se sobrepor ao bem preservado, além de responder equilibradamente à escala do ambiente. Pelo relato fotográfico apresentado no projeto percebe-se a sensibilidade do arquiteto ao ver claramente em um lugar derruído de uma arquitetura vernacular as possibilidades de ampliação das qualidades imanentes do espaço. O projeto apresenta uma escala factível e alia a beleza às soluções bioclimáticas e estruturais; os materiais utilizados contribuem para o diálogo respeitoso estabelecido entre as pré-existências e o novo edifício, resultando em uma obra madura e de alta qualidade.

Tema: Arquitetura Comercial, Patrimônio
Tags: Restauro, Silveira Martins

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